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sábado, 21 de janeiro de 2012

“O rap em Curitiba está melhor do que nunca” | Vídeos | Gazeta do Povo

“O rap em Curitiba está melhor do que nunca” Vídeos Gazeta do Povo

GAZETA DO POVO - GAZ 21 JAN 2012
Por Fabio Cherubini
Ao tratar de assuntos que vão além das dificuldades da vida suburbana, estilo musical ganha a cada dia mais ouvintes, que encontram no gênero uma porta para se comunicar com o mundo. 
O rapper MC Cabes: na cena desde os anos 1990, o curitibano tem um estúdio dentro de casa
A voz das ruas, das conquistas e das dificuldades da vida e dos sonhos e desejos da juventude, antes presentes principalmente no rock e na MPB, agora está escancarada no rap. Ao menos é assim que pensam muitos adolescentes – e até mesmo adultos – que ouviram nas rimas de Gabriel, O Pensador, Racionais MC’s e Sabotage, entre tantos outros artistas, as palavras capazes de expressar os seus sentimentos e ideias. Cada vez mais próximo de temas que dizem respeito a todas as pessoas – e não só a quem vive nos guetos –, mas sem deixar o protesto e a luta de lado, o estilo serve como um canal de comunicação entre os jovens e o mundo.

Na música brasileira, pode-se dizer que o gênero, nascido nos anos 1960 dentro da cultura Hip-Hop – que envolve dança (break), artes gráficas (grafite) e música (rap) – começou a pipocar nas rádios e tevês do país no fim dos anos 1990. Naquela época, o que estava em alta era o chamado gangsta rap, que retrata a vida difícil do povo suburbano. Só que o gênero foi crescendo em popularidade e nas temáticas exploradas, razão que o colocou para bombar nas caixas de som de todas as classes sociais. “O rap acima de tudo é música, e não existem fronteiras para isso. A cultura do Hip-Hop prega pela igualdade, mas houve um tempo de maturação até que o estilo assimilasse outros assuntos e faces da realidade”, avalia o MC Cabes, 26 anos, de Curitiba.

E existem alguns indicativos dessa popularidade. No ano passado, o VMB, premiação da MTV, se viu dominado por uma enxurrada de rappers, e coroou Criolo e Emicida como os grandes nomes da música pop brasileira de 2011. Nem mesmo Chico Buarque escapou ileso do gênero, ao homenagear Criolo nos shows da sua última turnê. “O Criolo foi um marco para a música brasileira, por fazer com que as pessoas que nunca tinham ouvido o rap parassem para prestar mais atenção nele”, acrescenta Cabes.
Nova geração
O MC curitibano, que está envolvido com o Hip-Hop desde o fim dos anos 1990, acredita que toda a luz em torno do estilo se deve a algumas características, como a possibilidade de as pessoas se expressarem por meio dele e a atual abrangência de temas abordados. “O rap que está em evidência hoje é mais positivo, trata de auto-estima e é menos restritivo. Mas o protesto ainda está presente nas letras, porque ele faz parte do estilo.”
Essa opinião, aliás, é incrementada pelo MC Magú, de 33 anos, um dos pioneiros do rap em Curitiba. Rimando desde 1997, ele acredita que há outros pontos que atraem os jovens a esse estilo de som, como a ilusão da fama e do sucesso, embora acredite que haja muito mais por trás das rimas e batidas. “O rap dá a possibilidade de você ser protagonista da sua própria história, o que é muito legal; mas ele também faz parte de um movimento cultural que envolve toda uma militância social”, destaca.
Para Magú, a internet representou um avanço no contato e na produção desse tipo de música. E um dos exemplos dessa nova geração é o beatmaker curitibano André Laudz. Com apenas 19 anos, o jovem já criou batidas para artistas como Emicida, Projota e está trabalhando no momento com MV Bill. Ligado ao rap desde os 7, quando começou a se interessar pelo estilo, Laudz aprendeu a desenvolver as batidas por conta própria, a partir de vídeo-aulas e do tempo em que ficou fuçando no programa usado para isso. Na visão dele, a popularização do rap se deve pelo fato de as pessoas estarem entendendo melhor o estilo. “Em algum momento, alguém parou para ouvir e percebeu que o som é bom. Acho que o público está abrindo mais a mente e vendo que o rap não era aquilo que elas pensavam”, conclui Laudz.



















Karol Conká: abre-alas do rap curitibano e destaque do VMB deverá lançar seu disco em abril deste ano

Protesto contra o desânimo
Karok Conká compõe desde 2002. Depois de mandar suas músicas para a MTV, a vida da curitibana de 26 anos deu uma reviravolta completa. De nome conhecido apenas nas rodas de rap locais, a MC foi im­­­­pul­­sionada para a fama nacional, sendo um dos primeiros nomes da­­­qui a despontar entre os artistas da cena brasileira, após a indicação co­­­­mo Artista Revelação no VMB 2011. “Mostrei que é possível fazer sucesso sem sair de Curitiba”. Leia mais na entrevista concedida ao Gaz+:

Você começou a fazer rap aos 16 anos, na escola. Como chegou até as rádios e tevês de todo o Brasil?
Karol Conká: “Acho que foi algo natural. Tudo começou quando resolvi organizar as minhas composições, que tinha desde 2002. Me juntei ao [produtor] Nave e em 2010 fiz algumas gravações e mandei para a MTV. As músicas tiveram bastante repercussão e fui convidada para fazer um show em Belo Horizonte. Depois me chamaram para ir até Porto Alegre e aí as coisas foram acontecendo...”

E como surgiu o seu interesse pelo rap?
“Lembro que foi quando tinha 16 anos e vi um clipe dos Fugees. Achei sensacional! Me identifiquei na hora com aquilo, com a linguagem urbana do rap. Sempre fui muito falante e o estilo me pareceu um meio de expor as minhas ideias. Me sinto à vontade com ele. Existem vários tipos de rap: gospel, de amor, gangsta... Mas não é porque falo de amor que não faço música de protesto. Sempre digo que o meu protesto é contra o desânimo, contra a derrota, porque o rap não está preso a um só tema.”

Qual é a sua opinião sobre a cena local?
“Acho que é muito boa e está cada vez melhor. Fui a primeira a ter reconhecimento nacional sem sair de Curitiba e mostrei que é possível ter sucesso mesmo morando aqui. Tive coragem e acho que os músicos viram que dá para tocar nas rádios de fora sem deixar a cidade.”

No ano passado você estava em processo de gravação do seu primeiro disco. Há uma previsão de lançamento?
“A previsão é de que o disco saia em abril desse ano. O lançamento atrasou um pouco porque quis deixar o trabalho mais caprichado, mas no fim do ano passado dei um gostinho com o lançamento de ‘Gandaia’, que foi quase um presente de Natal. Mas não posso antecipar nada, porque é tudo surpresa!”

Nova safra
A safra de rappers curitibanos está a mil, com novos MCs, DJs e produtores. Saiba em quais blogs você pode conhecê-los:

Beco 41
Blog dedicado à cultura Hip Hop paranaense, com informações e músicas para divulgação. http://beco41.blogspot.com/

Track Cheio
Página do estúdio de gravação do MC Cabes. Possui vídeos, mixtapes e sons para se ouvir dos artistas locais. http://trackcheio.blogspot.com/

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Interatividade
Em entrevista a uma rádio norte-americana, o rapper Jay-Z disse que o estilo está assumindo o papel do rock como a música que é a cara dos jovens. Você concorda com isso?

As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.


Todo Dia É Assim (2009) by Cabes Mc


Luis Cilho - Hoje 2011 (EP) by luiscilho

ZEVIAGEM by Mofonovo

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