O SOM DO SUL DO MUNDO

O SOM DO SUL DO MUNDO

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Don't Let Our Youth Go To Waste with Sonora Coisa - Track by Track (2012)

 
Extraído do
 
Texto: Rafael Conrado Bührer (baixo, voz do Sonora Coisa)
 
Vou ser extremamente prático, porque a história que segue abaixo é muito, mas muito melhor do que qualquer coisa que eu possa vir a escrever, ou melhor, pera aí.....ah deixa quieto.....

O TBTCI só quer dizer que Sonora Coisa é foda, ok e eu me encho de orgulho em publicar algo tão soberbo e cheio de emoção, por essas e outras que o TBTCI segue em frente....
Vida longa ao Sonora Coisa!!!!

Sonora Coisa - EP - Track by Track

"Imagine cinco garotos que nunca tinham entrado em um estúdio para gravar, não sabiam nada sobre metrônomo, nem pista, nem qualquer coisa próxima do que é “gravação por canal”. Tínhamos gravado demos com uma câmera simples, captado o áudio ao vivo, e isso era o mais próximo de uma gravação que chegamos. Mas tudo aconteceu muito rápido. Nossas demos foram parar nos ouvidos de um dos melhores produtores musicais do mundo, conhecido por ter feito Galaxie 500, Low, Codeine, Daniel Johnston, entre outras pérolas, e as coisas ficaram sérias para nós...

“Procurem uma gravadora”, ele disse. Foi o que fizemos. De 3 para as quais mandamos material, 2 responderam. Fechamos com a Pisces. Agora precisávamos gravar. Kramer, Pisces, 3 músicas demo mal gravadas no myspace, e o estúdio mais barato da cidade era o local para onde íamos agora.

Foram 3 dias gravando as 5 musicas do EP, mais 4 mixando. O homem por trás da mesa não sabia o que significava “lo-fi”, “shoegaze”, “guitar”, não entendia o nosso som, mas seguimos em frente. Foram 400 reais, dias legais, empolgação, frio na barriga, e aprendizado. Depois de gravadas, as faixas seguiriam para a Flórida, para serem masterizadas pelo Kramer. Ouvindo agora, sentimos cada pedaço do que foi tudo isso, em cada faixa está o que éramos e para onde evoluímos, ficou uma parte de nós nestas 5 musicas. E para sempre..."
 
 
1-PICTURE BOOK

Era a música mais nova naquele momento. Gravamos tudo com uma Les Paul meio quebrada, uma Telecaster tbm quebrada, 2 baixos e a bateria do estúdio. Sem efeitos, era o esqueleto de uma música “indie dançante”, ou o mais perto disso que podíamos chegar. Não sei qual foi a referencia aqui, como tudo o que compusemos, ela simplesmente veio. Tem 3 partes simples, o refrão com uma nota só no baixo, uma repetição monótona que me faz lembrar Beat Happening. Talvez tenha sido a referencia. Não lembro muito bem. A letra veio do fato do Afonso, nosso guitarrista, reclamar de letras depressivas. Então tentei escrever algo sobre o fim da depressão. Soa alegre/triste, começa com a linha marcante do baixo, entram as guitarras, entra a letra, ela segue e termina como começou. Mr. Kramer fez um bom trabalho nela, colocando os instrumentos no lugar certo. Começa o EP de um jeito legal, e é a mais diferente do resto.

2-JUMPER BOYS

Essa foi a primeira que fizemos. Tudo nela está errado, o cara do estúdio não entendia o que estávamos fazendo. Ela tem as guitarras cada uma em uma afinação, é tudo fora do lugar, soa muito estranha, mas essa era a intenção. Depois de ouvir umas 3 vezes ela passa a fazer sentido. A letra é sobre traficantes, e sobre não ligar para o que acontece ao nosso redor, sobre descaso. É algo irônico, e a música segue toda errada, como o tema. A bateria soa meio punk, ela segue como uma tentativa de fazer um punk rock fora do lugar. É a favorita do Kramer, é a que entrou na coletânea UV, é talvez nossa musica mais estranha. Gostamos dela por isso.

3- ACROSS THE ACRES

Uma das faixas instrumentais. Surgiu num ensaio, gostamos das guitarras e ficamos com ela. O legal é a parada no meio, fica só a bateria, volta o baixo e ela estoura com a entrada da guitarra. Deu um efeito legal. A gravação pegou os deslizes da guitarra, ela tem um rifezinho no refrão que parece um teclado, o Kramer soube manusear isso e deixar ela grandiosa. Gravamos ela no acústico da radio Mundo Livre, ficou legal com violões.

4-REVERSE 33 RPM

É a musica que fecha nossos shows, nós sempre alongamos ela ao vivo. É uma barulheira desgraçada inspirada em Sonic Youth, com os versos em acorde,e o refrão é uma cacofonia com o nome da musica sendo repetido até perder a voz. Quando gravamos, ela não funcionou com 2 guitarras apenas, as cacofonias ficavam sem peso, então gravamos 4 guitarras no refrão, para ficar parecida com o que ela soa ao vivo. A letra fala sobre estarmos cansados de mesmice na musica, sobre experimentar sem medo e fazer musica por prazer. É um chamado de guerra para a nossa “daydream nation”, essa geração acomodada e sem sal que estamos vendo atualmente.

5-FIREWORKS

Faixa instrumental. Calma, é a parte tranqüila do que somos. Foi uma das primeiras a ficarem prontas, sempre gostamos de tocar, é uma das favoritas do pessoal que nos acompanha. Foi a primeira faixa pronta que disponibilizamos para ser ouvida. Gostamos muito do resultado final dela, é uma musica onde tudo se completa, onde todos os instrumentos se encaixam perfeitamente para invocar a coda que é a parte mais explosiva da música. Dedicamos ela ao nosso pai (meu e do Afonso, guitarrista) que faleceu pouco antes de formarmos a banda. É uma música bela e introspectiva, com influencia de post-rock, que não precisa de palavras para dizer tudo o que sente. Fecha o EP de maneira bonita, depois de tanto barulho. E que venha a próxima gravação!
*
*
*
Valeu, Rafael

https://www.facebook.com/pages/Sonora-Coisa/180031492051202
http://soundcloud.com/sonora-coisa

Nenhum comentário:

Postar um comentário